Ás vezes eu invento de dar uma de poeteira >P E ás vezes eu escrevo algo decente. Eis aí um pouco de minha pretenção:
Tired baby sayin’ good bye
Desgraça pouca é bobagem Dizem isso e choram às largas Cansei de tanto choro por tão pouco Cansei dos que se lamentam pela moral torpe das putas Pro inferno com as vãs derrotas dos que não se realizam Pro inferno com a infamidade dos cansados da labuta Um copo de licor com veneno já basta A feiticeira ainda vaga pelas ruas á cata de almas bastardas Sigam a noite cujo frio retalha gargantas Sigam e vão-se, filhos da tragédia repetitiva! Sumam-se de uma vez nos seus poços de suprema hipocrisia Levem à tiracolo seus papas, presidentes e proletários exaltados Não ouço mais um palavra disso tudo Pro inferno, pro inferno todos vós! Ouçam-me cantar, enquanto todos ratos ignóbeis lançam um último adeus.
1ª de julho de 2007
Música do Dia:Anacrônico - Pitty Porquê: várias pessoas queridas estão em fases de mudança.. e eis uma música em bom português (importada do rock underground de Salvador, pois apesar do axé, imagino que exista uma resitência rockeira, sei lá, sou de são paulo e não entendo desses lugares distantes... hahaha... isso é provocação XD)falando sobre mudar, sobre ser o mesmo mesmo podendo ser tantos diferente... o próprio jogo da vida... não, não estou super valorizando a pitty... Anacrônico é realmente jóia rara. ^^
Ná: Ow... vi um filmão esses dias, chama Veneno e foi dirigido por Todd Haynes (pra quem não sabe, esse maluco aí dirigiu em 2007 o filme "I'm Not There" das "lendas por trás do mito para contar, reescrever e criticar os fatos marcantes da vida de Bob Dylan.") baseado em várias obras do escritor francês Jean Genet (quer saber quem foi ele? Vê aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Genet – eu já conhecia ele de um livro chamado Pompas Fúnebres, e sim, esse é subversivo) Antes de falar do filme em si, olha aí a ficha técnica:
Título Original: Poison Direção: Todd Haynes Ano: 1991 País: Estados Unidos Gênero: Drama, Terror, Ficção científica Duração: 85 min. / cor Elenco: Edith Meeks, Millie White, Buck Smith, Anne Giotta, Lydia Lafleur, Ian Nemser, Rob LaBelle, Evan Dunsky, Marina Lutz, Barry Cassidy
Vamos ao resumo... São três curtas encadeados para que a ação se desenvolva na mesma progressão entre eles, apesar de uma história não ter relação com a outra (inclusive se passam em épocas diferentes) E todas elas tem em comum retratarem várias facetas da crueldade e da paixão humana. A principio parece ser um filme extremamente bizarro, mas a fotografia excelente permite, depois de um tempo, distinguir um curta do outro, assim como flashbacks e cortes inesperados. A primeira história é em formato de documentário: são entrevistadas as pessoas que conviviam com um garoto de 7 anos que segundo a mãe "saiu voando pela janela" após matar o pai, a principio parecem relatos soltos, mas ao poucos um encaixa ao outro e o telespectador tenta reconstituir o que aconteceu (e revelações vá sendo feitas ao decorrer dos depoimentos), pouco a pouco uma tragédia urbana se torna um verdadeiro circo de horrores. Acho que foi o curta que eu mais gostei, é um jeito diferente de narrar uma história e a subjetividade dos vários entrevistados a torna cada vez mais intrigante e desesperadora. A segunda história é a que mais remete ao estilo de Genet: é sobre dois ladrões que se conheceram tempos atrás em um reformatório (onde obviamente passaram por experiências bastante desagradáveis) e se reencontram na prisão e acaba surgindo uma tensão sexual entre eles e que causará problemas em um mundo de alta rivalidade. Dessa seqüência é notável a fotografia: cenas sempre em meia luz, no ambiente imerso em trevas do presídio contrastando com flashbacks hiper-coloridos, quase lisérgicos e horripilantes, como na cena em que um garoto serve de alvo para cuspes dos demais. A terceira história é um misto de terror e ficção cientifica: bem ao estilo daqueles filmes dos anos 50 (é filmado em preto e branco, inclusive) um cientista isola o hormônio da libido e o ingere acidentalmente. A substância (contagiosa) o torna uma criatura deformada e maníaco sexual. Provavelmente o mais bizarro dos curtas. É aquele tipo de filme que você fica olhando fixamente para a tela, desconcertado, faz pensar: "por que é assim?" e ao final só resta assistir os créditos de boca aberta. E olha, não é aquele tipo de filme que não serve pra juntar sua família na sala... Causaria um desconforto absurdo a forçada reflexão sobre a humanidade que os curtas causam. É aquela coisa que tem que sentar sossegado pra ver (até o final do filme o sossego já se foi) e ficar refletindo, cinema que faz pensar – e talvez por isso, apesar de ter influenciado produções como Madame Satã – acabe pouco divulgado, restrito ao "submundo" intelectual (como a própria obra de Genet). Ou seja: assistam.